Por Dentro do Polo Aquático Feminino

Apresentarei o resumo de um estudo (D’Auria & Gabbett, 2008) cujo objetivo foi investigar as demandas fisiológicas de jogadores de polo aquático em ações que comumente ocorrem durante uma partida.

Com esse propósito foram filmadas ações específicas de algumas jogadoras selecionadas por seu reconhecido desempenho e participação nas ações de jogo durante o Campeonato Mundial de Polo Aquático Feminino realizado em Perth em 2002.

As ações avaliadas foram de (1) disputa de bola (wrestling – disputa de posição com outro jogador. Marcada por contato corporal), (2) nados de disputa (contented swimming – nados alternados realizados próximo de outro atleta ou com a posse da bola), (3) nado (swimming – nados na horizontal visando posse de bola ou melhorar a posição) e (4) posição de sustentação (holding position – ações semi-estacionárias geralmente na posição vertical, como palmateio, eggbeater). Cada uma destas ações foi quantificada quanto a sua intensidade de 1 (menos intenso) a 3 (mais intenso). Além disso, quantificados pela sua duração em vários intervalos predeterminados (0-2s, 2-5s, 5-10s, 10-15s, 15-20s, 20-30s, 30-45s, 45-60s, > 60s). Finalmente, foram comparadas ações dos alas e dos centros.

Um resumo dos principais resultados é apresentado no esquema abaixo. Associado a estes resultados pode-se citar que na maior parte das vezes, para todas ações analisadas, as atividades duraram até 10 segundos, com uma grande prevalência das atividades no intervalo de 2-5 segundos.

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A partir destes resultados os autores sugerem que:

  • seja dado ênfase em séries de treino intermitente de velocidade;
  • se desenvolva nos alas a habilidade de nado horizontal, principalmente com estímulos curtos e em velocidade;
  • se desenvolva nos jogadores de centro a habilidade de disputa da bola e de posição contra oponente;
  • o treino deva privilegiar os componentes de disputa de bola (wrestling), nados de disputa (contented swimming), nado (swimming) e posição de sustentação levando em consideração o tempo empreendido durante o jogo em cada uma destas atividades; e
  • seja dado importância aos componentes aeróbico e anaeróbico responsáveis pelo desempenho dos jogadores.

Concordo que os resultados podem até não ser surpreendentes, mas mesmo assim, comprovam algumas ações que podem ser observadas durante o jogo.

Como limitações da pesquisa os autores apresentam que:

  • o processo de análise em vídeo é subjetivo, principalmente no que se refere a classificação das intensidades. Além disso, foi encontrada confiabilidade moderada para estas medidas;
  • após esta competição ocorreram algumas modificações na regra do jogo, como: (1) diminuição do comprimento do campo de jogo, (2) diminuição de 35 seg para 30 seg do tempo de ataque e (3) proibição do bloqueio do arremesso com as duas mãos por um jogador de linha.

Considero que estas limitações apresentadas pelos autores não devam ser consideradas como desanimadoras. Os autores até argumentam que com estas alterações na regra possivelmente o jogo tornou-se mas rápido e intenso, com ataques mais curtos e aumento das atividades de alta intensidade.

Espero que estas informações possam auxiliá-lo na condução do seu treinamento.

Até a próxima e bons treinos.

Prof. Guilherme Tucher (tucher@guilhermetucher.com.br)

 

Sugestão de leitura:

D’Auria, S., & Gabbett, T. (2008). A time-motion analysis of international women’s water polo match play. International Journal of Sports Physiology and Performance, 3(3), 305-319.

Sobre Guilherme Tucher

Guilherme Tucher
é Doutor em Ciências do Desporto (2015), Mestre em Ciência da Motricidade Humana (2008), Especialista em Esporte de Alto Rendimento (2014), em Natação e Atividades Aquáticas (2005) e em Treinamento Desportivo (2006), e Graduado em Educação Física (2003). Possui curso de aperfeiçoamento em Gestão, Direito e Marketing no Esporte (2013) e de Operação de Arenas Multiuso (2014). Possui ainda formação complementar na área de Estatística. Foi treinador de natação competitiva com atleta em campeonato estadual (RJ) e nacional. Atualmente é docente do Instituto Federal do Sudeste de Minas Gerais (Campus Rio Pomba).

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